Confissão de Fé Batista de 1689

Versão integral em português (BR) com referências bíblicas ARA.

Capítulo 1 - As Sagradas Escrituras

1. A Santa Escritura é a única, suficiente, correta, e infalível regra de todo conhecimento, fé, e obediência salvíficos1, embora a luz da natureza e as obras da criação e da providência, manifestem a bondade, a sabedoria e o poder de Deus, a ponto de tornar os homens indesculpáveis; ainda assim, não são suficientes para oferecer aquele conhecimento de Deus e Sua vontade, que é necessário para a salvação2; portanto aprouve ao Senhor, em diversas ocasiões, e de muitas maneiras, revelar-Se, e declarar a Sua vontade para a Sua Igreja3; e, posteriormente, para melhor preservação e propagação da verdade, e para o mais seguro estabelecimento e consolo da Igreja contra a corrupção da carne e malícia de Satanás e do mundo, concedeu a mesma completamente por escrito; o que faz da Sagrada Escritura a mais necessária; aqueles antigos modos de Deus revelar a Sua vontade ao Seu povo agora estão completados4.

2. Sob o nome de Escritura Sagrada, ou Palavra de Deus escrita, incluem-se agora todos os Livros do Antigo e do Novo Testamento, que são estes: DO ANTIGO TESTAMENTO: Gênesis, Êxodo, Levítico, Números, Deuteronômio, Josué, Juízes, Rute, 1 Samuel, 2 Samuel, 1 Reis, 2 Reis, 1 Crônicas, 2 Crônicas, Esdras, Neemias, Ester, Jó, Salmos, Provérbios, Eclesiastes, Cantares de Salomão, Isaías, Jeremias, Lamentações, Ezequiel, Daniel, Oséias, Joel, Amós, Obadias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuque, Sofonias, Ageu, Zacarias, Malaquias. DO NOVO TESTAMENTO: Os Evangelhos segundo Mateus, Marcos, Lucas, João, Atos dos Apóstolos, as Epístolas de Paulo aos Romanos, 1 Coríntios, 2 Coríntios, Gálatas, Efésios, Filipenses, Colossenses, 1 Tessalonicenses, 2 Tessalonicenses, 1 Timóteo, 2 Timóteo, Tito, Filemon, a Epístola aos Hebreus, a Epístola de Tiago, a Primeira e Segunda Epístolas de Pedro, a Primeira, Segunda e Terceira Epístolas de João, a Epístola de Judas, Apocalipse. Todos os quais são dados por inspiração de Deus, para ser a regra de fé e vida1.

3. Os Livros comumente chamados Apócrifos, não sendo de inspiração Divina, não fazem parte do cânon ou regra da Escritura; e, portanto, não são de autoridade na Igreja de Deus, nem de modo algum podem ser aprovados ou empregados, senão como escritos humanos1.

4. A autoridade da Escritura Sagrada, razão pela qual deve ser crida, não depende do testemunho de qualquer homem ou Igreja, mas depende somente de Deus (que é a própria Verdade), o seu Autor; e, portanto, deve ser recebida, porque é a Palavra de Deus1.

5. Nós podemos ser movidos e compelidos pelo testemunho da Igreja de Deus a um alto e reverente apreço pela Escritura Sagrada; e a sublimidade do assunto, a eficácia da sua doutrina, a majestade do estilo, a concordância de todas as partes, o escopo do seu todo (que é dar toda a glória a Deus), a plena revelação que faz do único caminho da salvação do homem, as suas muitas outras excelências incomparáveis e sua completa perfeição, são argumentos pelos quais abundantemente se evidencia ser a Palavra de Deus; ainda assim, não obstante, a nossa plena persuasão e certeza de sua verdade infalível e autoridade Divina provêm da operação interna do Espírito Santo, testemunhando por meio da e com a Palavra em nossos corações1.

6. Todo o conselho de Deus concernente a todas as coisas necessárias para a Sua própria glória, a salvação do homem, fé e vida, ou é expressamente declarado ou necessariamente contido na Escritura Sagrada, ao que nada, em qualquer tempo deve ser acrescentado, seja por novas revelações do Espírito, ou por tradições humanas1. No entanto, nós reconhecemos a iluminação interior do Espírito de Deus sendo necessária para a salvífica compreensão das coisas reveladas na Palavra2; e que há algumas circunstâncias, quanto ao culto a Deus e ao governo da Igreja, comuns às ações e sociedades humanas, as quais devem ser ordenadas pela luz da natureza e pela prudência Cristã, segundo as regras gerais da Palavra, que devem sempre ser observadas3.

7. Nem todas as coisas em si mesmas são igualmente claras na Escritura, nem igualmente claras a todos1; ainda assim, aquelas coisas que necessitam ser conhecidas, cridas, e observadas, para a salvação, são tão claramente propostas e desveladas em algum ou outro lugar da Escritura, que não apenas os doutos, mas os indoutos, no devido uso dos meios ordinários, podem alcançar uma suficiente compreensão delas2.

8. O Antigo Testamento em Hebraico (que era a língua nativa do povo de Deus no passado)1, e o Novo Testamento em Grego (que, na época em que foi escrito, era mais comumente conhecido entre as nações), sendo imediatamente inspirados por Deus e pelo Seu singular cuidado e providência conservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos; assim, em todas as controvérsias sobre a Religião, a Igreja deve apelar para eles2. Mas, porque essas línguas originais não são conhecidas por todo o povo de Deus, que tem direito e interesse nas Escrituras, e é ordenado, no temor de Deus, ao lê-las3 e a examiná-las4, portanto, elas devem ser traduzidas para a língua comum de cada povo aonde chegar5, para que, a Palavra de Deus habitando abundantemente em todos, eles possam adorá-lO de uma maneira aceitável, e pela paciência e consolação das Escrituras, possam ter esperança6.

9. A regra infalível de interpretação da Escritura é a própria Escritura; e, portanto, quando houver uma questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer escritura (que não é múltipla, mas única), esse pode ser investigado por meio de outros textos que o expressem mais claramente1.

10. O Juiz Supremo, pelo qual todas as controvérsias da religião devem ser determinadas, e todos os decretos de conselhos, opiniões de escritores antigos, doutrinas de homens e espíritos particulares, devem ser examinados, e em cuja sentença devemos nos firmar, não pode ser outro senão o Espírito falando na Escritura; no que a Escritura assim anuncia, nossa fé é finalmente decidida1.


Capítulo 2 - Deus e a Santíssima Trindade

1. O Senhor nosso Deus é somente um Deus vivo e verdadeiro1; cuja subsistência está em e de si mesmo2, infinito em seu ser e perfeição; cuja essência não pode ser compreendida por qualquer outro, senão por Ele mesmo3; um espírito puríssimo4, invisível, sem corpo, partes ou paixões, a quem somente pertence a imortalidade, que habita em luz que nenhum homem pode acessar5; que é imutável6, imenso7, eterno8, incompreensível, onipotente9, em tudo infinito, santíssimo, sapientíssimo10, completamente livre e absoluto, operando todas as coisas segundo o conselho da Sua vontade imutável e justíssima11, para a Sua própria glória12; É cheio de amor, gracioso, misericordioso, longânimo, abundante em bondade e verdade, que perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado; o galardoador dos que o buscam13 e, contudo, justíssimo e terrível em Seus julgamentos14; odiando todo pecado15; e que não tem por inocente o culpado16.

2. Deus possui toda a vida1, glória2, bondade3, bem-aventurança, em e de si mesmo; Ele é todo suficiente para si, e não possui necessidade de quaisquer criaturas que Ele fez, nem delas deriva glória alguma4, mas apenas manifesta sua própria glória em, por, para e sobre elas; ele é a única origem de todo ser, de quem, por quem e para quem são todas as coisas5; e exerce soberano domínio sobre todas as criaturas, para fazer por elas, para elas ou sobre elas tudo o que lhe apraz6. Todas as coisas estão manifestas e patentes diante dele7; seu conhecimento é infinito, infalível e independente da criatura; assim como nada para ele é contingente ou incerto8. Ele é santíssimo em todos os seus conselhos, em todas as suas obras9 e em todos os seus comandos. Para ele, é devido da parte de anjos e homens todo o culto10, serviço ou obediência que, como criaturas, eles devem em relação ao seu Criador, e tudo quanto mais Ele se agradar em requerer deles.

3. Em seu Ser divino e infinito há três subsistências, o Pai, a Palavra ou o Filho, e o Espírito Santo1, de uma só substância, poder e eternidade, cada um possuindo completa essência divina, e ainda a essência é indivisível2: O Pai não é de ninguém, nem gerado nem procedente; o Filho é eternamente gerado do Pai3; o Espírito Santo é procedente do Pai e do Filho4; todos infinitos e sem princípio de existência. Portanto, um só Deus; que não deve ser dividido em seu ser ou natureza, mas, sim, distinguido pelas diversas propriedades peculiares e relativas, e relações pessoais; Esta doutrina da Trindade é o fundamento de toda a nossa comunhão com Deus, e confortável dependência dEle.


Capítulo 3 - O Decreto de Deus

1. Deus decretou em Si mesmo, desde toda a eternidade, pelo mui sábio e santo Conselho de Sua própria vontade, ordenou livre e imutavelmente todas as coisas, seja o que for que venha a acontecer1; ainda assim, de modo que nem Deus é o autor do pecado, nem tem comunhão com algo nisso2; nem é violentada a vontade da criatura, nem ainda é eliminada a liberdade ou contingência das causas secundárias, antes estabelecidas3; nas quais demonstra-se a Sua sabedoria em dispor de todas as coisas, e poder e fidelidade em efetuar os Seus decretos4.

2. Embora Deus conheça tudo o que possa ou venha a ocorrer, sobre todas as circunstâncias imagináveis1; ainda assim Ele não decretou qualquer coisa, porque Ele a previu como futura, ou como aquilo que poderia ocorrer, em tais condições2.

3. Por meio do decreto de Deus e para manifestação da Sua glória, alguns homens e anjos são predestinados ou preordenados para a vida eterna por meio de Jesus Cristo1, para o louvor de Sua gloriosa graça2; outros são deixados a agir em seus pecados para a sua justa condenação, para o louvor da Sua gloriosa justiça3.

4. Esses anjos e homens, assim predestinados e preordenados, são particular e imutavelmente designados; e o seu número é tão certo e definido, que não pode ser aumentado ou diminuído1.

5. Aqueles da humanidade que são predestinados para a vida, Deus, antes da fundação do mundo, de acordo com o Seu propósito eterno e imutável, e o secreto conselho e beneplácito de Sua vontade, os escolheu em Cristo, para a glória eterna, por Sua pura livre graça e amor1, não por qualquer outra coisa na criatura, como condições ou causas que O movesse a isso2.

6. Assim como Deus destinou os eleitos para a glória, assim também, pelo propósito eterno e mui livre de Sua vontade, preordenou todos os meios para isso1. Portanto, aqueles que são eleitos, estando caídos em Adão são remidos por Cristo2, são eficazmente chamados para a fé em Cristo pelo Seu Espírito, que opera no tempo devido; são justificados, adotados, santificados3 e preservados pelo Seu poder por meio da fé para a salvação4. Nem são quaisquer outros redimidos por Cristo, eficazmente chamados, justificados, adotados, santificados e salvos, senão somente os eleitos5.

7. A doutrina deste elevado mistério da predestinação deve ser tratada com especial prudência e cuidado, para que os homens, atendendo à vontade de Deus revelada em Sua Palavra, e prestando obediência a isso, possam, a partir da certeza da sua vocação eficaz, certificar-se de sua eleição eterna1. Portanto, esta doutrina deve motivar o louvor2, reverência e admiração a Deus; e humildade3, diligência e consolação abundante para todos os que sinceramente obedecem ao Evangelho4.


Capítulo 4 - A Criação

1. No princípio aprouve a Deus, o Pai, o Filho e o Espírito Santo1, para a manifestação da glória do seu eterno poder2, sabedoria e bondade, criar ou fazer o mundo, e todas as coisas nele, sejam visíveis ou invisíveis, no espaço de seis dias, e tudo muito bom3.

2. Após Deus haver feito todas as outras criaturas, Ele criou o homem, macho e fêmea1, com almas racionais e imortais2, os adequou perfeitamente à vida para Deus, para o que eles foram criados, tendo sido feitos segundo a imagem de Deus, em conhecimento, retidão e verdadeira santidade3; tendo a lei de Deus escrita em seus corações4, e poder para cumpri-la; e ainda assim sob a possibilidade de transgressão, sendo deixados à liberdade da sua própria vontade, que era sujeita à mudança5.

3. Além dessa lei escrita em seus corações, eles receberam a ordem de não comer da árvore do conhecimento do bem e do mal1; de forma que enquanto eles obedeceram a este preceito foram felizes em sua comunhão com Deus e tiveram domínio sobre as criaturas2.


Capítulo 5 - A Providência

1. Deus, o grande Criador de todas as coisas, em Seu infinito poder e sabedoria, dirige, dispõe e governa todas as criaturas1, e coisas, desde a maior até a menor2, por Sua mui sábia e santa providência, para o fim pelo qual foram criadas, segundo a Sua infalível presciência, e o livre e imutável conselho de Sua própria vontade, para o louvor da glória de Sua sabedoria, poder, justiça, infinita bondade e misericórdia3.

2. Embora em relação à presciência e ao decreto de Deus, a causa primeira, todas as coisas acontecem imutável e infalivelmente1, de forma que nada acontece de algum modo por mudança, ou sem a Sua providência2; contudo, pela mesma providência, Ele ordena que elas aconteçam de acordo com a natureza das causas secundárias, seja necessária, livre ou contingentemente3.

3. Deus, em Sua providência ordinária, faz o uso de meios1, ainda assim, é livre para operar sem2, acima3 e contra eles4, como Lhe agrade.

4. A onipotência, a sabedoria inescrutável e a infinita bondade de Deus, tanto manifestam-se em Sua providência, na qual Seu conselho determinado se estende mesmo até a primeira Queda, e todos as outras ações pecaminosas tanto de anjos e homens1; e não por meio de mera permissão, os quais Ele também, mui sábia e poderosamente delimita, e de forma variada ordena e governa2 em uma multiforme dispensação, para os Seus próprios santos fins3; ainda assim, de forma que a pecaminosidade de seus atos procede da criatura, e não de Deus; que sendo santíssimo e justíssimo, não é, nem pode ser o autor ou aprovador do pecado4.

5. O Deus mui sábio, justo e gracioso, frequentemente deixa, por algum tempo, Seus próprios filhos em múltiplas tentações e corrupção dos seus próprios corações, para castigá-los pelos seus pecados anteriores ou fazer-lhes conhecer o poder oculto da corrupção e engano de seus corações, para que eles sejam humilhados; e elevá-los a uma dependência mais íntima e constante por Seu próprio apoio, e para torná-los mais vigilantes contra todas as futuras ocasiões de pecado, e para outros santos e justos fins1. De forma que seja o que for que ocorra com todos os Seus eleitos é por Sua designação, para a Sua glória e para o bem deles2.

6. Quanto aos perversos e ímpios, a quem Deus, como o justo juiz, por pecados anteriores, cega e endurece1; deles, Ele não apenas retém a Sua graça, pela qual eles poderiam ser iluminados em seus entendimentos e forjados em seus corações2; mas às vezes também lhes retira os dons que eles tinham3; e os expõe a objetos de forma que a corrupção deles se torna em ocasiões de pecado4; e, além disso, entrega-lhes às suas próprias concupiscências, às tentações do mundo e ao poder de Satanás5; segundo o que ocorre que eles se endurecem, sob aqueles meios que Deus usa para abrandar dos outros6.

7. Como a providência de Deus, em geral, atinge todas as criaturas, assim, de uma forma mui especial, Ele cuida de Sua Igreja, e dispõe de todas as coisas para o bem dela1.


Capítulo 6 - A Queda do Homem; o Pecado e Sua Punição

1. Embora Deus tenha criado o homem justo e perfeito, e lhe deu uma lei justa, que tinha sido para a vida se tivesse a guardado, ou para morte, se a desobedecesse1. Mesmo assim o homem não manteve por muito tempo a sua honra. Satanás valeu-se da astúcia da serpente para seduzir Eva, em seguida, esta seduziu a Adão, que, sem qualquer compulsão, deliberadamente transgrediram a lei de sua criação, e a ordem, dada a eles, de não comer o fruto proibido2, do que foi Deus servido permitir este pecado deles, de acordo com seu conselho sábio e santo, a fim de permitir este pecado deles, havendo determinado ordená-lo para a sua própria glória.

2. Nossos primeiros pais, por seus pecados, decaíram de sua retidão original e da comunhão com Deus, e nós neles, e por isso a morte veio sobre todos1: todos se tornaram mortos no pecado2 e inteiramente corrompidos em todas as faculdades e partes da alma e do corpo3.

3. Sendo eles os ancestrais e, pelo desígnio de Deus, os representantes de toda humanidade, a culpa do pecado foi imputada a toda a sua posteridade, e a corrupção natural passou a todos os seus descendentes que deles procede por geração ordinária1. Sendo estes agora concebidos em pecado2, e por natureza filhos da ira3, escravos do pecado, sujeitos à morte4 e a todas as outras misérias, espirituais, temporais e eternas, a menos que o Senhor Jesus os liberte5.

4. Desta corrupção original pela qual ficamos totalmente indispostos, adversos a todo o bem e inteiramente inclinados a todo o mal1, é que procedem todas as transgressões atuais2.

5. A corrupção da natureza, durante esta vida, persiste naqueles que são regenerados1; e, embora, ela seja, através de Cristo, perdoada e mortificada, todavia tanto ela mesma como seus primeiros impulsos, são verdadeira e propriamente pecado2.


Capítulo 7 - O Pacto de Deus

1. A distância entre Deus e a criatura é tão grande, que, embora as criaturas racionais lhe devam obediência como seu Criador, nunca poderiam ter alcançado a recompensa da vida, senão por alguma condescendência voluntária da parte de Deus, que Ele Se agrada em expressar por meio de aliança1.

2. Ademais, tendo o homem trazido a si mesmo sob a maldição da lei, por sua queda, aprouve ao Senhor fazer um pacto da graça1, no qual Ele oferece livremente aos pecadores a vida e a salvação por meio de Jesus Cristo, exigindo deles a fé nEle, para que eles sejam salvos2; e prometendo dar a todos os que são ordenados para a vida eterna, o Seu Espírito Santo, para torná-los dispostos e capazes de crer3.

3. Esta aliança é revelada no evangelho; primeiramente a Adão na promessa de salvação pela semente da mulher1, e depois por passos adicionais, até a desvelamento plena da mesma consumada no Novo Testamento2; e é fundada naquela transação da eterna aliança que havia entre o Pai e o Filho para a redenção dos eleitos3; e é somente pela graça desta aliança que todos da caída posteridade de Adão que já foram salvos obtiveram a vida e a bem-aventurada imortalidade, o homem sendo agora totalmente incapaz de aceitação por Deus naqueles termos em que Adão permanecia em seu estado de inocência4.


Capítulo 8 - Cristo, o Mediador

1. Aprouve a Deus, em seu eterno propósito, e de acordo com o pacto estabelecido entre ambos, escolher e ordenar o Senhor Jesus, seu Filho unigênito, para ser o Mediador entre Deus e os homens1, o profeta2, sacerdote3 e rei4; a cabeça e Salvador da Igreja5, o herdeiro de todas as coisas6, e juiz do mundo7; a quem, desde toda a eternidade, deu um povo para ser sua semente e para ser por ele no tempo remido, chamado, justificado, santificado e glorificado8.

2. O Filho de Deus, a segunda pessoa da Santa Trindade, sendo verdadeiro e eterno Deus, o resplendor da glória do Pai, da mesma substância e igual com Aquele que criou o mundo, quem sustenta e governa todas as coisas que Ele fez, quando chegou a plenitude dos tempos, tomou sobre si a natureza humana, com todas as propriedades essenciais e enfermidades comuns1; embora sem pecado2: foi concebido pelo Espírito Santo, no ventre da Virgem Maria, o Espírito Santo desceu sobre ela, e o poder do Altíssimo a envolveu; e assim foi feito de uma mulher da tribo de Judá, da descendência de Abraão e Davi, segundo as Escrituras3; para que duas naturezas inteiras, perfeitas e distintas, fossem inseparavelmente unidas em uma só pessoa, sem conversão, composição ou confusão. Esta pessoa é verdadeiro Deus e verdadeiro homem, mas um só Cristo, o único Mediador entre Deus e o homem4.

3. O Senhor Jesus em sua natureza humana assim unida à divina na Pessoa do Filho, foi santificado e ungido com o Espírito Santo sobremaneira1; tendo em si todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento2, em quem aprouve a Deus que toda a plenitude habitasse3: a fim de que sendo santo, inocente, imaculado4, e cheio de graça e de verdade5, ele pudesse estar plenamente qualificado para exercer o ofício de um Mediador e Fiador6. Este ofício ele não tomou para si, mas para este foi chamado por seu Pai7; que colocou todo o poder e juízo em sua mão, e lhe ordenou que os exercesse8.

4. Este ofício o Senhor Jesus empreendeu mui voluntariamente1. Para que pudesse exercê-lo, foi feito sujeito à lei2, que ele cumpriu perfeitamente e suportou o castigo que a nós era devido, que nós deveríamos ter recebido e sofrido3. Ele foi feito pecado e maldição, por nossa causa4, suportando as mais cruéis aflições em sua alma e os sofrimentos mais dolorosos em seu corpo5; foi crucificado e morreu; e ficou em estado de morte, mas não viu a corrupção6. No terceiro dia ele ressuscitou dos mortos7, com o mesmo corpo no qual ele sofreu8; com o qual também ele subiu ao céu9, e lá está assentado à destra do Pai, fazendo intercessão10; e voltará para julgar homens e anjos, no fim do mundo11.

5. O Senhor Jesus, pela sua perfeita obediência e sacrifício de si mesmo, que ele, pelo Espírito eterno, uma vez ofereceu a Deus, satisfez plenamente a justiça de Deus1; obteve a reconciliação e adquiriu uma herança eterna no reino dos céus, para todos quantos foram dados a Ele pelo Pai2.

6. Embora o preço da redenção não tenha sido realmente pago por Cristo senão depois da Sua encarnação, contudo a virtude, a eficácia e os benefícios dela foram comunicados aos eleitos, em todas as épocas sucessivamente desde o princípio do mundo, nas – e através das – promessas, tipos e sacrifícios em que Cristo foi revelado, e que o apontavam como semente que esmagaria a cabeça da serpente1, e ao Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo2, sendo o mesmo ontem e hoje e para sempre3.

7. Cristo, na obra da mediação, age de acordo com ambas as naturezas; cada uma delas atuando como lhe é próprio. Mesmo assim, em razão da unidade da pessoa, aquilo que é próprio de uma natureza às vezes, na Escritura, é atribuído à pessoa de Cristo denominada pela outra natureza1.

8. Cristo certamente aplica e comunica eficazmente a redenção eterna, para todos quantos Ele a obteve; fazendo intercessão por eles1; unindo-os a Si mesmo por Seu Espírito; revelando-lhes, na e pela sua Palavra, o mistério da salvação, persuadindo-os a crer e obedecer2, governando seus corações pelo seu Espírito3 e por sua Palavra, e vencendo todos os inimigos deles, por sua onipotência e sabedoria4, da maneira e pelos meios mais conformes com a sua admirável e inescrutável dispensação; e tudo isso livre e absoluta graça, sem a precondição de neles ter sido vista de antemão uma busca pela redenção5.

9. Este ofício de mediador entre Deus e os homens cabe exclusivamente a Cristo, que é profeta, sacerdote e rei da Igreja de Deus; e nem em parte nem totalmente pode ser transferido de Cristo para qualquer outrem.1


Capítulo 9 - Livre-Arbítrio

1. Deus dotou a vontade do homem com tal liberdade natural e poder de ação em escolha, que ela não é nem forçada, nem determinada para o bem ou o mal por qualquer necessidade da natureza1.

2. O homem, em seu estado de inocência, tinha a liberdade e o poder de querer e fazer aquilo que é bom e agradável a Deus1; mas ainda assim, era instável, de forma que ele podia cair deste [estado]2.

3. O homem, por meio de sua queda em um estado de pecado, perdeu completamente todo o poder da vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação1; assim como um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto em pecado2, não é capaz, por sua própria força, de converter-se ou preparar-se para isso3.

4. Quando Deus converte um pecador e o transporta para o estado de graça, Ele o liberta de sua natural escravidão ao pecado1 e, por Sua graça, o habilita a livremente querer e fazer aquilo que é espiritualmente bom2; ainda assim, de modo que, em razão de sua corrupção remanescente, ele não o faz perfeitamente, nem apenas deseja o que é bom, mas também o que é mau3.

5. A vontade do homem é feita imutável e perfeitamente livre para o bem somente, apenas no estado de glória11.


Capítulo 10 - A Chamada Eficaz

1. Aqueles a quem Deus predestinou para a vida, a Ele apraz, em Seu tempo determinado e aceitável, chamar eficazmente1, por sua Palavra e pelo Seu Espírito, do estado natural de pecado e morte, para a graça e a salvação por Jesus Cristo2, isto Ele faz, iluminando suas mentes de maneira espiritual e salvífica, para entender as coisas de Deus3, tirando-lhes o coração de pedra e dando-lhes um coração de carne4; renovando as suas vontades, predispondo-os para o bem e trazendo-os irresistivelmente para Jesus Cristo5; no, entanto eles vêm a Cristo mui livremente, sendo para isso dispostos pela Sua graça6.

2. Esta chamada eficaz é por livre e especial graça de Deus e não provem de qualquer coisa prevista no homem, e nem de poder algum ou agência da criatura1, esta se mantém totalmente passiva, estando morta em pecados e transgressões, até que, sendo vivificada e renovada pelo Espírito Santo2, fica habilitada a corresponder a ela, e a receber a graça oferecida e comunicada nela. Para isso é necessário um poder que de modo nenhum é menor do que aquele que ressuscitou a Cristo dentre os mortos3.

3. As crianças eleitas que morrem na infância são regeneradas e salvas por Cristo, através do Espírito11, que opera quando, onde e como Lhe agrada12. Do mesmo modo são salvas todas as pessoas eleitas incapazes de serem chamadas exteriormente, pelo ministério da Palavra.

4. Outros não eleitos, embora possam ser chamados pelo ministério da Palavra, e tenham algumas das operações comuns do Espírito11, contudo não sendo eficazmente atraídos pelo Pai, eles nem querem e nem podem verdadeiramente vir a Cristo e, portanto, não podem ser salvos12; muito menos poderão ser salvos os que não seguem a religião cristã, por mais diligentes que sejam em conformar suas vidas à luz da natureza e aos ensinamentos da religião que professam13.


Capítulo 11 - A Justificação

1. Aqueles a quem Deus chama eficazmente, Ele também livremente justifica1: não por meio da infusão de justiça para eles, mas em perdoar os seus pecados e em considerar e aceitar as suas pessoas como justos2; não por qualquer coisa neles operada ou por eles feita, mas somente por causa de Cristo3; não lhes imputando como sua justiça a própria fé, o ato de crer, ou qualquer outra obediência evangélica, mas pela imputação da obediência ativa de Cristo a toda a lei, e obediência passiva em Sua morte por sua completa e única justiça pela fé4; fé esta que eles não têm de si mesmos, esta é um dom de Deus5.

2. A Fé, assim recebendo e descansando em Cristo e Sua justiça, é o único instrumento de justificação1; ainda assim, não está sozinha na pessoa justificada, mas sempre anda acompanhada de todas as outras graças salvadoras, e não é uma fé morta, mas opera pelo amor2.

3. Cristo, por Sua obediência e morte, pagou plenamente a dívida de todos os que são assim justificados, e pelo sacrifício de Si mesmo, no sangue de Sua cruz, sujeitando-se no lugar deles à penalidade a eles devida, fez uma satisfação apropriada, real e plena à justiça de Deus em nome deles1. No entanto, na medida em que Ele foi dado pelo Pai para eles, e Sua obediência e satisfação aceitos em seu lugar, e ambos livremente, não por qualquer coisa neles2, a sua justificação é apenas de livre graça, de forma que tanto a exata justiça e rica graça de Deus sejam glorificadas na justificação dos pecadores13.

4. Deus, desde toda a eternidade, decretou justificar todos os eleitos11; e Cristo, na plenitude do tempo, morreu pelos seus pecados e ressuscitou para a justificação deles12; no entanto, eles não são justificados pessoalmente, até que o Espírito Santo, em devido tempo, efetivamente, aplica-lhes a Cristo13.

5. Deus continua a perdoar os pecados daqueles que são justificados11; e embora eles nunca possam cair do estado de justificação12, contudo eles podem, por seus pecados, cair no desagrado paternal de Deus13, e nesta condition eles usualmente não têm a luz de Sua face restaurada a eles, até que se humilhem, confessem seus pecados, peçam perdão e renovem sua fé e arrependimento14.

6. A justificação dos crentes sob o Velho Testamento era, em todos estes aspectos, uma e a mesma com a justificação dos crentes sob o Novo Testamento11.


Capítulo 12 - A Adoção

1. A todos quantos são justificados em Seu único Filho, Jesus Cristo, e, por causa dEle, Deus é servido fazer participantes da graça da adoção1, por esta graça eles são recebidos no número dos filhos de Deus2 e gozam a liberdade e privilégios de filhos de Deus3; Recebem sobre si o nome de Deus; recebem o Espírito de adoção4; têm acesso ao trono da graça com confiança; são habilitados a clamar: “Aba, Pai”5; são tratados com compaixão5, protegidos6, providos7 e por ele corrigidos, como por um Pai8; porém, jamais são lançados fora19, pois estão selados para o dia da redenção11. E herdam as promessas, na qualidade de herdeiros da salvação eterna12.


Capítulo 13 - A Santificação

1. Aqueles que são unidos a Cristo, eficazmente chamados e regenerados, tendo um novo coração e um novo espírito criados neles, através da virtude da morte e ressurreição de Cristo, são mais santificados real e pessoalmente1 por meio da mesma virtude, pela Sua Palavra e Espírito que habita neles2; o domínio de todo o corpo do pecado é destruído3, e as várias concupiscências são cada vez mais enfraquecidas e mortificadas4, e eles mais e mais vivificados e fortalecidos, em todas as graças salvadoras5, para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá o Senhor6.

2. Esta santificação é no homem todo1, ainda que imperfeita nesta vida: ainda permanecem alguns resíduos de corrupção em todas as partes2, de onde nasce uma guerra contínua e irreconciliável, a carne milita contra o Espírito, e o Espírito contra a carne3.

3. Nesta guerra, embora a corrupção remanescente por um tempo possa mui prevalecer11, ainda assim, através do suprimento contínuo de força do Espírito santificador de Cristo, a parte regenerada superar12, e assim os santos crescem em graça, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus, esforçando-se por uma vida celestial, em obediência evangélica a todos os mandamentos que Cristo, como Cabeça e Rei, em Sua Palavra prescreve a eles13.


Capítulo 14 - A Fé Salvadora

1. A graça da fé, pela qual os eleitos são habilitados a crer para a salvação de suas almas, é a obra do Espírito de Cristo em seus corações1, e é ordinariamente operada pelo ministério da Palavra2; pelo que também, e pela administração do batismo e da Ceia do Senhor, pela oração, e por outros meios prescritos por Deus, é aumentada e fortalecida3.

2. Por esta fé, o cristão crê ser verdade tudo quanto é revelado na Palavra, segundo a autoridade do próprio Deus1, e também apreende a uma excelência nela acima de todos os outros escritos e todas as demais coisas do mundo2 – por ela demonstrar a glória de Deus em Seus atributos, a excelência de Cristo em sua natureza e ofícios, e o poder e a plenitude do Espírito Santo em suas obras e operações. Reconhecendo tudo isso, o cristão é capacitado a confiar sua alma irrestritamente à verdade assim crida3; e também e age em conformidade com aquilo que cada passagem contém em particular, prestando obediência aos mandamentos4, tremendo diante das ameaças5 e abraçando as promessas de Deus para esta vida, e para a que está por vir6. Mas os principais atos de fé salvadora possuem relação imediata com Cristo: aceitar, receber e confiar exclusivamente nEle para a justificação, santificação e a vida eterna, em virtude do pacto da graça17.

3. Esta fé, embora possa ser diferente em graus, e possa ser fraca ou forte11. No entanto, assim como as demais graças salvadoras, e mesmo se for pequeníssima, ela é de um tipo e de uma natureza diferentes daquela fé e da graça comum que os seguidores professos possuem12. Por isso, mesmo que seja muitas vezes atacada e enfraquecida, ainda assim, sempre alcança a vitória13; crescendo em muitos para uma plena segurança por meio de Cristo14, que é o autor e também o consumador da nossa fé15.


Capítulo 15 - Arrependimento para a Vida e Salvação

1. Aqueles eleitos que são convertidos em anos maduros, tendo vivido algum tempo em estado natural, e por isso, servido a diversas concupiscências e prazeres, Deus em seu chamado eficaz concede-lhes o arrependimento para a vida1.

2. Considerando que não haja ninguém que faça o bem e não peque1, e o melhor dos homens pode, através do poder e sedução de sua corrupção habitando nele, com a prevalência das tentações, cair em grandes pecados e provocações; Deus tem, no pacto da graça, providenciado misericordiosamente que os crentes que assim pecaram e caíram, sejam renovados através do arrependimento para a salvação2.

3. Este arrependimento salvífico é uma graça evangélica1, pelo qual uma pessoa, sendo pelo Espírito Santo feita sensível aos múltiplos males do seu pecado, pela fé em Cristo, humilha-se por isso com a tristeza segundo Deus, ódio disso, e auto-aborrecimento2, orando por perdão e pela força da graça, com um propósito e esforço, por suprimentos do Espírito, para andar diante de Deus agradando-lhe em todas as coisas3.

4. Como o arrependimento deve continuar por todo o curso de nossas vidas, em consideração ao corpo da morte, e as ações do mesmo, por isso, é dever de todo homem arrepender-se de seus pecados particulares e conhecidos, individualmente1.

5. Tal é a provisão que Deus tem feito por Cristo, no pacto da graça para a preservação dos crentes para a salvação; que, embora não haja pecado tão pequeno que não mereça a condenação1; ainda não há pecado tão grande que possa trazer condenação sobre aqueles que verdadeiramente se arrependem2; o que torna a constante pregação sobre o arrependimento necessária.


Capítulo 16 - Boas Obras

1. Boas obras são somente aquelas que Deus ordenou em sua santa Palavra¹, e não as que, sem autoridade dela, são elaboradas por homens movidos por um zelo cego ou sob qualquer outro pretexto de boa intenção².

2. Estas boas obras, feitas em obediência aos mandamentos de Deus, são o fruto e as evidências de uma fé viva e verdadeira1, e por elas os crentes manifestam a sua gratidão2, fortalecem a sua confiança3, edificam os seus irmãos, adornam a profissão do evangelho4, fazem calar os adversários, e glorificam a Deus5, de cuja feitura são, criados em Cristo Jesus para isso mesmo6, a fim de que, tendo o seu fruto para santificação, eles possam ter por fim a vida eterna7.

3. Sua capacidade de fazer boas obras não é de modo algum dos próprios crentes, mas provém totalmente do Espírito de Cristo11. E para que eles possam ser habilitados para isso, além das graças que já receberam, há uma necessidade de uma influência real do mesmo Espírito Santo, para operar neles o querer e o realizar segundo o Seu bom prazer12; no entanto, eles não devem por isso tornar-se negligentes, como se não fossem obrigados a cumprir qualquer dever, senão mediante um impulso especial do Espírito; mas eles devem ser diligentes em despertar a graça de Deus que está neles13.

4. Mesmo aqueles que conseguem prestar a maior obediência nesta vida, estão longe de exceder e fazer mais do que é requerido por Deus, pois eles ainda ficam aquém do muito que por dever eles são obrigados a fazer11.

5. Nós não podemos, pelas nossas melhores obras, merecer da mão de Deus o perdão do pecado ou a vida eterna, visto ser grande a desproporção que há entre elas e a glória por vir, e a infinita distância que há entre nós e Deus, a quem não podemos ser úteis por meio delas, nem satisfazê-lO pela dívida dos nossos pecados anteriores11; mas quando tivermos feito tudo o que pudermos, temos feito somente o nosso dever, e somos servos inúteis. Se nossas obras são boas elas procedem do Espírito12. Contudo, à medida elas são desempenhadas por nós, essas obras vão sendo contaminadas e misturadas com tanta fraqueza e imperfeição, que não podem suportar a severidade do julgamento de Deus13.

6. Todavia, desde que os crentes, como pessoas, são aceitos por meio de Cristo, as suas obras também são aceitas nEle11, não como se fossem nesta vida totalmente inculpáveis e irrepreensíveis diante de Deus; antes, significa que ele, olhando para eles em seu Filho, se agrada de aceitar e recompensar aquilo que é sincero, embora realizado com muitas fraquezas e imperfeições12.

7. As obras feitas por homens não regenerados, embora por si mesmas possam ser coisas que Deus ordena, e proveitosas tanto para a pessoa que as faz quanto para outrem11; contudo, porque não procedem de um coração purificado pela fé22; e de acordo com a Palavra23, nem são feitas de uma maneira correta, nem com a finalidade correta, a glória de Deus24; elas são, portanto, pecaminosas e não podem agradar a Deus, nem tornar uma pessoa apta para receber a graça de Deus25; não obstante, a sua negligência delas seja ainda mais pecaminosa e ofensiva a Deus26.

Capítulo 17 - A Perseverança dos Santos

1. Os que Deus aceitou no Amado, aqueles que foram chamados eficazmente e santificados por seu Espírito, e receberam a fé preciosa (que é dos seus eleitos), esses não podem decair totalmente nem definitivamente do estado de graça. Antes, hão de perseverar até o fim e ser eternamente salvos, tendo em vista que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis, e Ele continuamente gera e nutre neles a fé, o arrependimento, o amor, a alegria, a esperança e todas as graças que conduzem à imortalidade. 1 Ainda que muitas tormentas e dilúvios se levantem e se dêem contra eles, jamais poderão desarraigá-los da pedra fundamental em que estão firmados, pela fé. Não obstante, a visão perceptível da luz e do amor de Deus pode, para eles, cobrir-se de nuvens e ficar obscurecida, 2 por algum tempo, por causa da incredulidade e das tentações de Satanás. Mesmo assim, Deus continua sendo o mesmo, 3 e eles serão guardados pelo poder de Deus, com toda certeza, até a salvação final, quando entrarão no gozo da possessão que lhes foi comprada; pois eles estão gravadas nas palmas das mãos de seu Senhor, e os seus nomes estão escritos no Livro da Vida, desde toda eternidade.

2. Esta perseverança não depende de um livre-arbítrio da parte dos santos; mas, sim, decorre da imutabilidade do decreto da eleição, 1 fluindo do amor gratuito e inalterável de Deus Pai, sobre a eficácia do mérito e da intercessão de Jesus Cristo; da união com Ele; 2 do juramento de Deus; 3 da habitação de seu Espírito e da semente de Deus dentro neles; 4 da natureza do pacto da graça. 5 De tudo isso decorrem também a certeza e a infalibilidade da perseverança dos santos.

3. Levados pela tentação de Satanás e do mundo, pela prevalência da corrupção que ainda permanece dentro deles, ou pela negligência aos meios para a sua própria preservação, os santos podem incorrer em tristes pecados, e continuar em tais pecados, por algum tempo. 1 Desse modo, eles caem em desagrado perante Deus e entristecem o seu Santo Espírito; 2 vêm-se privados de bênçãos e confortos; 3 têm os seus corações endurecidos e ferida a consciência; 4 ofendem e escandalizam outras pessoas; e fazem vir sobre si mesmos os juízos de Deus, ainda neste mundo. 5 Não obstante, eles renovarão o seu arrependimento, e serão preservados através da fé em Cristo Jesus, até o fim.6


Capítulo 18 - A Certeza da Graça e da Salvação

1. Os seguidores professos, e outras pessoas não-regeneradas, em vão podem enganar a si mesmos com falsas esperanças e presunções carnais, supondo gozar do favor de Deus e estar em um estado de salvação, pois essa esperança deles perecerá.1 Porém, os que realmente crêem no Senhor Jesus, e o amam sinceramente, procurando andar perante Ele em toda boa consciência, esses podem estar certos de que estão em um estado de graça nesta vida, e podem regozijar-se na esperança da glória de Deus,2 de cuja esperança jamais se envergonharão.3

2. Esta certeza não é uma mera persuasão teórica e presumível, baseada em uma esperança que pode falhar. Ela é uma certeza infalível de fé, 1 alicerçada no sangue e na retidão de Cristo revelados no evangelho, 2 bem como na evidência interior de certas graças do Espírito Santo, as quais recebem promessas de Deus. 3 Baseia-se, igualmente, no testemunho do Espírito de adoção, que testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus. 4 E esta certeza nos guarda, mantendo o nosso coração humilde e santo. 5

3. Esta certeza infalível de salvação não é uma parte essencial da fé cristã, pois um crente pode esperar muito tempo, e lutar contra muitas dificuldades, antes de alcançá-la.1 Contudo, não é necessária uma revelação especial para que o crente possa ter essa certeza. Sendo habilitado pelo Espírito Santo a conhecer as coisas que lhe são dadas gratuitamente, por Deus, o crente pode obtê-la através do uso correto dos meios apontados por Deus. 2 Portanto, todo cristão tem o dever de procurar confirmar a sua vocação e eleição, com toda diligência, para que seu coração possa dilatar-se, em paz e alegria no Espírito Santo, em amor e gratidão a Deus, em vigor e ânimo para os deveres de obediência. Tais são os frutos naturais dessa certeza, 3 a qual está longe de inclinar os homens para o relaxamento. 4

4. Os crentes verdadeiros podem ter a sua certeza de salvação abalada, diminuída ou interrompida, de diversas maneiras: por negligência na preservação dessa certeza; por caírem em algum pecado específico, que fere a consciência e entristece o Espírito; 13 por uma tentação súbita ou veemente; 1 por Deus retirar de sobre eles a luz da sua presença, permitindo que mesmo os que O temem caminhem em trevas, que não tenham luz. 2 Contudo, eles jamais ficam destituídos da divina semente 3 e da vida de fé, 4 do amor de Cristo e dos irmãos, da sinceridade de coração e da consciência do dever. É a partir dessas graças, por obra do Espírito, que a certeza da salvação pode ser revificada, no devido tempo; 5 e, mediante elas, os crentes são preservados de um total desespero. 6


Capítulo 19 - A Lei de Deus

1. Deus outorgou a Adão uma lei de obediência, que lhe inscreveu no coração; e também um preceito particular, o de não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. 1 Dessa maneira, Adão e toda sua posteridade ficaram compelidos a uma obediência pessoal, total, exata e perpétua, à lei. 2 Deus prometeu vida como recompensa do cumprimento, e morte como castigo da quebra da lei, 3 tendo dado ao homem o poder e a habilidade para guardá-la.

2. A mesma lei que uma vez foi inscrita no coração humano continuou a ser uma regra perfeita de justiça após a queda. 1 E essa lei foi dada por Deus sobre o monte Sinai e inscrita em duas tábuas de pedra, na forma de dez mandamentos. Os quatro primeiros mandamentos contêm nossos deveres para com Deus, e, os outros seis mandamentos, nossos deveres para com os homens. 50

3. Além desta lei, comumente chamada de lei moral, Deus houve por bem dar leis cerimoniais ao povo de Israel, contendo diversas ordenanças simbólicas: em parte, de adoração, prefigurando Cristo, as suas graças, suas ações, seus sofrimentos, e os benefícios que conferiu; 1 e, em parte, estabelecendo várias instruções de deveres morais. 7 As leis cerimoniais foram instituídas com vigência temporária, pois mais tarde seriam ab-rogadas por Jesus, o Messias e único Legislador, que, vindo no poder do Pai, cumpriu e revogou essas leis. 2

4. Deus também deu diversas leis judiciais ao povo de Israel, que expiraram juntamente com o antigo Estado de Israel e agora não possuem caráter obrigatório; são válidas, no entanto, como um padrão moral de equidade coletiva. 1

5. Para sempre a lei moral requer obediência de todos, tanto de pessoas justificadas quanto das demais. 1 E isto não apenas por causa do assunto de que trata essa lei, mas, também, por causa da autoridade de Deus, o Criador, que a impôs. 2 No evangelho, Cristo de modo nenhum dissolve a lei, antes confirma a sua obrigatoriedade. 3

6. Embora os verdadeiros crentes não estejam debaixo da lei (como num pacto de obras), para serem justificados ou condenados por ela, 1 mesmo assim a lei é de grande utilidade para eles, bem como para outras pessoas. Isso porque a lei, como uma regra de vida, lhes informa da vontade de Deus e do dever que lhes cabe, dirigindo e constrangendo-os a caminhar segundo esse dever. A lei também descobre as contaminações pecaminosas da natureza humana, dos corações e das vidas, para que eles, examinando-se na lei, possam vir a ter uma maior convicção, humilhação e ódio pelo pecado, 2 além de uma visão mais clara de sua necessidade de Cristo e da perfeição da obediência de Cristo. Da mesma forma, a lei é útil para restringir as corrupções dos regenerados, pois proíbe o pecado. As ameaças da lei servem para mostrar o que os pecados deles merecem, e com que aflições eles podem contar nesta vida, se pecam, mesmo depois de libertados da maldição e do rigor intransigente da lei. Igualmente, as promessas da lei demonstram a aprovação de Deus à obediência e quais bênçãos os homens podem esperar receber se cumprirem a lei, embora essas bênçãos não lhes sejam devidas por encargo da lei, como seria num pacto de obras. Por conseguinte, se um homem faz o bem e se refreia do mal (porque a lei encoraja a uma coisa e o dissuade da outra), isso não é evidência de ele estar debaixo da lei e não debaixo da graça. 3

7. Os usos da lei, acima mencionados, não são contrários à graça do evangelho; antes, concordam docemente com ela, 1 à medida em que o Espírito de Cristo conquista a vontade do homem e o capacita a fazer, espontânea e alegremente, aquilo que a vontade de Deus, revelada na lei, requer que seja feito. 2


Capítulo 20 - O Evangelho e a Extensão de Sua Graça

1. O pacto das obras foi quebrado pelo pecado e se tornou inútil para conduzir à vida. Mas Deus foi servido prometer Cristo, o descendente de mulher, como o meio de chamar os eleitos e gerar neles fé e o arrependimento. 1 Nesta promessa, a essência do evangelho foi revelada, o que tornou-a eficaz para a conversão e salvação de pecadores. 2

2. Esta promessa, referente a Cristo e à salvação através dEle, somente é revelada pela Palavra de Deus. 1 As obras da criação ou da providência, bem como a luz da natureza, não fazem mais do que uma apresentação genérica e obscura 2 de Cristo e da graça através dEle; muito menos do que o necessário para que os homens destituídos da revelação de Cristo pudessem alcançar fé salvadora ou arrependimento. 3

3. A revelação do evangelho a pecadores - para nações e indivíduos a quem tem sido feita, muitas vezes e de muitas maneiras, com adição de promessas e preceitos de obediência - é devida unicamente à vontade soberana e ao beneplácito de Deus. 1 A revelação do evangelho não está ligada (em virtude de alguma promessa) ao devido bom uso das habilidades humanas à luz da revelação comum, recebida sem o evangelho, porque ninguém jamais conseguiu, nem poderá conseguir tal coisa. 2 Consequentemente, em todas as eras, a pregação do evangelho tem sido feita em grande variedade de extensão ou limitação, a indivíduos e a nações, de acordo com o conselho da vontade de Deus.

4. O evangelho é o único meio externo de revelação de Cristo e da graça salvadora, e, como tal, é abundantemente suficiente para isso. No entanto, para que homens que estão mortos em transgressões possam nascer de novo, ser vivificados ou regenerados, faz-se necessária, também, uma obra efetiva e insuperável do Espírito Santo, em cada parte da alma, para produzir neles uma nova vida espiritual. 1 Sem esta obra do Espírito Santo não há outros meios de produzir a conversão a Deus. 2


Capítulo 21 - Liberdade Cristã e Liberdade de Consciência

1. A Liberdade que Cristo comprou para os crentes, no evangelho, consiste na libertação da culpa do pecado, da ira condenatória de Deus, do rigor e da maldição da lei; 1 e consiste na libertação dos crentes deste mundo perverso, 2 da escravidão a Satanás, 3 do domínio do pecado, 4 da malignidade das aflições, 5 do medo e do aguilhão da morte, da vitória da sepultura, 6 e da perdição eterna. 7 Consiste no livre acesso a Deus, no prestar-lhe uma obediência não suscitada por medo escravizador; 8 e, sim, por amor, como o de uma criança, voluntariamente. 9 Tudo isto, em essência, aplicava-se também aos crentes que viviam sob a lei. 10 Sob o Novo Testamento, porém, a liberdade cristã é ampliada, na libertação do jugo da lei cerimonial a que a igreja judaica estava sujeita, na maior ousadia de acesso ao trono da graça, e maior medida do livre Espírito de Deus do que os crentes normalmente desfrutavam sob a lei. 11

2. Somente Deus é Senhor da consciência, 1 e Ele a liberou das doutrinas e mandamentos de homens que entrem em contradição com a Palavra ou que não estejam contidos nela. 2 Por isso, acreditar em tais doutrinas ou obedecer tais mandamentos, por causa da consciência, é trair a verdadeira liberdade de consciência. 3 A exigência de uma fé irrestrita, de uma obediência cega e total, significa destruir ao mesmo tempo as liberdades de consciência e raciocínio. 15

3. Os que praticam algum pecado ou alimentam qualquer desejo pecaminoso, a pretexto da liberdade cristã, pervertem o desígnio principal da graça do evangelho, para destruição de si mesmos. 1 Desse modo, eles subvertem a finalidade da liberdade cristã, isto é, que, sendo libertados das mãos de todos os nossos inimigos, possamos servir ao Senhor em santidade e retidão perante Ele, sem medo, por todos os dias de nossa vida. 2


Capítulo 22 - Adoração Religiosa e o Dia do Senhor

1. A luz da natureza mostra que existe um Deus, que tem senhorio e soberania sobre todos, que é justo, bom, e faz o bem a todos; e que, portanto, deve ser temido, amado, louvado, invocado, crido e servido, de todo o coração, de toda alma, e com todas as forças. 1 Mas a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, 2 e que está bem delimitada por sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não descrito nas Sagradas Escrituras. 3

2. A adoração religiosa deve ser dada a Deus - Pai, Filho, Espírito Santo - e somente a Ele: 1 não a anjos, santos ou qualquer outra criatura. 2 E, desde a queda, não sem um mediador, 3 nem por mediação de qualquer outro, senão Cristo, apenas. 7

3. A oração com ações de graças é requerida por Deus, de todos os homens, 1 por ser parte daquela adoração que é inata a todos os seres humanos. Contudo, para ser aceitável, deve ser feita em nome do Filho, 2 com a ajuda do Espírito, 3 de acordo com a vontade de Deus; 4 com discernimento, reverência, humildade, fervor, fé, amor e perseverança. E, quando em público, em uma língua que seja conhecida. 5

4. A oração deve rogar por coisas lícitas, e por toda sorte de pessoas, vivas ou que ainda viverão; 1 mas não pelos mortos, 2 nem por pessoas que se sabe terem cometido o “pecado para morte”.

5. A leitura das Escrituras; 1 a pregação e o ouvir da Palavra de Deus; 2 o ensino e a advertência mútua; o louvor, com salmos, hinos e cânticos espirituais, com gratidão ao Senhor em nossos corações; 3 a administração do batismo, 4 e a Ceia do Senhor: 5 todos são partes da adoração religiosa, que devem ser cumpridas em obediência a Deus, com entendimento, fé, reverência e temor piedoso. Além disso, em ocasiões especiais devem ser usados a humilhação solene, com jejuns, 6 e ações de graças, de uma maneira santa e reverente. 22

6. Agora, no evangelho, nem a oração nem qualquer outra parte da adoração religiosa está relacionada a um lugar específico, nem se torna mais aceitável por causa do lugar em que é feita ou para o qual a pessoa esteja voltada. Deus deve ser adorado em todo lugar, em espírito e em verdade; 1 na privacidade familiar, 2 diariamente; 3 e em secreto, cada pessoa individualmente; 4 e muito mais solenemente nos cultos públicos, os quais não devem ser intencional ou inconseqüentemente negligenciados ou esquecidos, pois Deus, mediante sua Palavra e providência, nos conclama a prestá-lo. 5

7. Por instituição divina, é uma lei universal da natureza que uma proporção de tempo seja separada para a adoração a Deus. Por isso, em sua Palavra - através de um mandamento explícito, perpétuo e moral, válido para todos os homens, em todas as eras - Deus determinou que um dia em cada sete lhe seja santificado, 28 como dia de descanso. Desde o começo do mundo, até a ressurreição de Cristo, esse dia era o último da semana; e, desde a ressurreição de Cristo, foi mudado para o primeiro dia da semana, que é chamado “Dia do Senhor”. 1 A guarda desse dia como sábado cristão deve continuar até o fim do mundo, pois foi abolida a observância do último dia da semana. 28 Êx.2.3: Lembra-te do dia de sábado, para o santificar.


Capítulo 23 - Juramentos Legítimos e Votos

1. O juramento legítimo é também um ato de adoração religiosa, pelo qual a pessoa, jurando em verdade, justiça e discernimento, invoca solenemente a Deus como testemunha daquilo que foi jurado; 1 e para que julgue a pessoa de acordo com a veracidade ou falsidade de seu juramento. 1 1 Êx.20.2: Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão, porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o seu nome em vão. Dt..3.20: Ao Senhor teu Deus temerás; a ele servirás, a ele te chegarás, e pelo seu nome jurarás. Jr.4.1: ... se jurares pela vida do Senhor, em verdade, em juizo e em justiça, então nele serão benditas as nações e nele se glorificarão.

2. O único nome pelo qual se deve jurar é o nome de Deus, que deve ser usado com santo temor e reverência. Por isso, jurar em vão, ou, temerariamente, por esse nome glorioso e tremendo; ou jurar por qualquer outra coisa, constitui um ato pecaminoso e abominável. 1 No entanto, a Palavra de Deus autoriza o juramento, quando para decidir assuntos de grande importância e peso, para uma confirmação da verdade, e para encerrar contendas. 2 Por conseguinte, se a autoridade civil exige um juramento, e se este é legítimo, deve ser prestado. 3

3. Qualquer pessoa que tome um juramento autorizado pela Palavra de Deus, deve considerar devidamente as implicações de um ato tão solene, para que nada afirme senão aquilo que ela sabe que é verdade, porque juramentos temerários, falsos ou em vão, constituem uma provocação ao Senhor, e por causa deles a terra se lamenta. 1

4. O juramento deve ser prestado no sentido claro e explícito das palavras, sem equívocos e sem restrições mentais. 1

5. O voto não deve ser feito a criatura alguma, mas somente a Deus; e deve ser feito e cumprido com todo cuidado e fidelidade religiosa. 1 Porém, os votos monásticos católicos-romanos - voto de celibato, 2 voto de pobreza, 3 e voto de obediência - em vez de serem graus de maior perfeiição, não passam de armadilhas supersticiosas e iníquas, com as quais cristão nenhum deve embaraçar-se.


Capítulo 24 - Magistrado Civil

1. Deus, o Senhor supremo e Rei de todo o mundo, ordenou que houvesse magistrados civis, para lhe estarem sujeitos e governarem sobre o povo, para o bem público e para a glória de Deus. E para que desempenhem essa função, Deus os armou com o poder da espada, para defesa e o encorajamento daqueles que fazem o bem, e para a punição dos malfeitores. 1

2. Quando chamado para isso, é lícito que o cristão aceite e execute o ofício do Magistrado. No desempenho desse ofício, ele deve especialmente manter a justiça e a paz, 1 de acordo com todas as leis de cada comunidade. E, para esse fim, mesmo agora, na vigência do Novo Testamento, ele pode inclusive empreender a guerra, se isto for justo e necessário na ocasião. 2

3. Visto que os magistrados são instituídos por Deus para as finalidades já mencionadas anteriormente, requer-se de nós a obediência, no Senhor, a todas as coisas lícitas ordenadas pelas autoridades, não apenas por causa da punição, mas como dever de consciência. 1 Devemos suplicar e orar pelos magistrados e todos os que estão investidos de autoridade, para que, sob seu governo, vivamos vida tranqüila e mansa, com toda piedade e respeito. 2


Capítulo 25 - Matrimônio

1. O casamento é para ser entre um homem e uma mulher. Não é lícito ao homem ter mais de uma esposa, e nem à mulher ter mais de um marido ao mesmo tempo.1

2. O casamento foi ordenado para o auxílio mútuo entre marido e mulher,1 para a propagação da humanidade por uma descendência legítima,2 e para impedir a impureza.3

3. O casamento é lícito para todos os tipos de pessoas, desde que possam dar o seu consentimento racional.1 Porém, o dever dos cristãos é casarem-se somente no Senhor.2 Por isso os que temem a Deus e professam a verdadeira religião não devem casar-se com incrédulos ou idólatras, para que, casando-se, não se ponham em jugo desigual com uma pessoa iníqua, ou com quem defenda uma heresia condenável.3

4. Não devem casar-se pessoas entre as quais existam graus de parentesco ou consangüinidade que sejam proibidos na Palavra de Deus.1 As uniões incestuosas jamais poderão ser legitimadas por qualquer lei humana ou pelo consentimento das partes, pois não é correto tais pessoas viverem juntas, como marido e mulher.2


Capítulo 26 - A Igreja

1. A Igreja universal (ou católica), que com respeito à obra interna do Espírito, e da verdade da graça, pode ser chamada invisível, consiste no número total dos eleitos que já foram, estão sendo, ou ainda serão chamados em Cristo, o Cabeça de todos. A Igreja é a esposa, o corpo e a plenitude daquele que é tudo em todos.1

2. Todas as pessoas ao redor do mundo, que professam fé no evangelho e obediência a Deus, mediante Cristo, de acordo com o evangelho, e que não destroem o seu testemunho com alguma doutrina fundamentalmente errada ou conversão profana: esses podem ser chamados de os santos,1 de que se compõe a igreja visível; e todas as congregações deviam ser constituídas de pessoas assim.2

3. Mesmo as igrejas mais puras sobre a terra estão sujeitas a erros doutrinários e a comprometimentos.1 Algumas se degeneraram tanto, que deixaram de ser Igrejas de Cristo, e passaram a ser sinagogas de Satanás.2 A despeito disso, porém, Cristo sempre teve e sempre terá um reino neste mundo, até o fim dos tempos. Esse reino é formado dos que nEle crêem e confessam o se nome.3

4. O Senhor Jesus Cristo é o Cabeça da Igreja. Por determinação do Pai, de uma maneira suprema e soberana, nEle está investido o poder de chamar, instituir, ordenar e governar a Igreja.1 O papa de Roma não pode, em qualquer sentido, ser o cabeça da Igreja; ele é o anticristo, o homem da iniquidade e filho da perdição, o qual se opõe e se levanta contra Cristo e contra tudo que se chama Deus, a ponto de assentar-se no santuário de Deus, como se fosse o próprio Deus. O Senhor Jesus o matará com o sopro da sua boca.2

5. No exercício desse poder de que está investido, o Senhor Jesus chama a si aqueles que deste mundo lhe foram dados pelo Pai,1 através do ministério da Palavra, e por seu Espírito, a fim de que possam caminhar diante dEle, em todos os caminhos que Ele lhes prescreve na Palavra.2 E manda que as pessoas assim chamadas caminhem juntas, formando sociedades locais, as igrejas, para a edificação mútua e a devida performance do culto público que Ele requer dos seus neste mundo.3

6. Os membros dessas igrejas são santos por chamamento, manifestando visivelmente e evidenciando a sua obediência ao chamado de Cristo,1 tanto por confessarem a Cristo, como, também, pelo seu modo de vida. Os chamados consentem voluntariamente em ter comunhão uns com os outros, de acordo com o mandato de Cristo; e, por vontade de Deus, entregam-se uns aos outros e ao Senhor, submetendo-se às ordenanças do evangelho.2

7. De acordo com a mente de Cristo, declarada na Palavra, Deus deu a cada uma dessa igrejas todo poder e autoridade necessários ao desempenho da forma de adoração e de disciplina por Ele instituídas para a observância na igreja, com mandamentos e normas para a aplicação devida e o emprego correto desse poder.1

8. Uma igreja local, reunida e completamente organizada de acordo com a mente de Cristo, consiste de oficiais e membros. Os oficiais designados por Cristo serão escolhidos e consagrados pela igreja congregada. São eles os anciãos (ou bispos) e os diáconos;1 cabe-lhes especificamente a administração das ordenanças [Batismo e Ceia do Senhor] e o exercício do poder ou do dever com que foram instruídos, ou para o qual foram chamados por Cristo. Este sistema deve ser mantido na igreja, até o fim do mundo.

9. O modo designado por Cristo para o chamamento de uma pessoa capacitada e dotada pelo Espírito Santo, ao ofício de bispo ou ancião da igreja, é a escolha pelo consenso da igreja.1 Os bispos serão consagrados solenemente, com jejum, oração, e a imposição de mãos pelos anciãos da igreja2 (caso exista algum). Os diáconos serão escolhidos por igual eleição e consagrados por oração e imposição de mãos.3

10. A incumbência dos pastores é atender constantemente à obra de Cristo nas igrejas, no ministério da Palavra e da oração, zelando pelo bem espiritual das almas que lhes foram confiadas, e das quais terão que prestar contas a Cristo.1 As igrejas têm a incumbência de prestar todo o respeito que é devido aos seus ministros; e fazê-los participantes de todas as boas coisas materiais, de acordo com as possibilidades de cada igreja,2 para que os ministros possam viver confortavelmente e não tenham que emaranhar-se em ocupações seculares,3 podendo também exercer hospitalidade para com os outros.4 Isto é requerido pela própria lei da natureza, e pelo mandato expresso de nosso Senhor Jesus, que ordenou “aos que pregam o evangelho, que vivam do evangelho”.5

11. Embora a tarefa de serem diligentes na pregação da Palavra seja, por definição de ofício, uma incumbência dos bispos (os pastores) das igrejas, a pregação da Palavra não está confinada exclusivamente a eles. Outras pessoas, que tenham sido dotadas e preparadas pelo Espírito Santo, e que também tenham sido convocadas pela Igreja, podem e devem ocupar-se com a obra da pregação.1

12. Todos os crentes têm a obrigação de congregar-se em igrejas locais, no local que lhes seja possível, e quando lhes seja possível. E todos os que são admitidos aos privilégios da comunhão na igreja estão também sujeitos à disciplina e ao governo da igreja,1 segundo a norma de Cristo.

13. Nenhum membro deve perturbar a ordem ou faltar às reuniões da igreja; e nem deve deixar de receber a ministração das ordenanças [Batismo e Ceia do Senhor] por causa de uma ofensa recebida de qualquer dos membros da igreja, seja qual for a ofensa. Mesmo que já tenha cumprido com o seu dever em relação àqueles contra quem se sente ofendida, a pessoa deve esperar em Cristo, e deixar que o seu caso seja resolvido pela disciplina da igreja.1

14. Os membros de cada igreja local devem orar continuamente pelo bem e pela prosperidade de todas as igrejas de Cristo, em todo lugar.1 E devem trabalhar para a expansão da Igreja, em todas as ocasiões, exercendo cada um os seu dons e graças, na sua área de atuação, e de acordo com o seu chamamento. Portanto, as igrejas - quando dispostas pela providência de Deus de uma maneira em que isto seja possível - devem desfrutar da oportunidade e das vantagens de manterem comunhão entre si, a fim de promoverem a paz, o amor, e a edificação mútua.2

15. Em caso de dificuldades ou divergências acerca de questões doutrinárias, ou do governo de igreja; se as igrejas em geral, ou se uma igreja está sendo perturbada em sua paz, união e edificação; ou se algum membro ou membros de alguma igreja for atingido por medidas disciplinares que não condizem com a verdade e a norma - nestes casos, segundo a mente de Cristo, muitas igrejas devem reunir-se em comunhão, mediante representantes, para considerarem e darem o seu conselho sobre o assunto em questão, e relatarem a todas as igrejas envolvidas.1 Contudo, os representantes reunidos não estão investidos de qualquer poder eclesiástico propriamente dito, nem de qualquer jurisdição sobre as igrejas, para exercerem disciplina sobre qualquer igreja ou pessoa, ou para imporem as suas conclusões às igrejas ou aos oficiais das mesmas.2


Capítulo 27 - A Comunhão dos Santos

1. Todos os santos estão unidos a Jesus Cristo, o Cabeça, pelo Espírito e pela fé, e têm comunhão com Ele em suas graças, sofrimentos, morte, ressurreição e glória,1 muito embora isso não os torne uma só pessoa com Ele. Estamos unidos uns aos outros no amor, eles têm comunhão nos dons e nas graças de cada um;2 e têm a obrigação de cumprir os deveres públicos ou particulares que, de uma maneira ordeira, conduzam ao bem-estar comum, tanto em questões espirituais quanto materiais.3

2. Os santos, ao fazerem sua profissão de fé, comprometem-se a manter uma santa associação e comunhão para adorar a Deus e prestar outros serviços espirituais, que tendam à sua mútua edificação;1 também têm compromisso de socorrer uns aos outros em coisas materiais, de acordo com as habilidades e as necessidades de cada um.2 Esta comunhão, segundo a norma do evangelho, deve especialmente ser exercida no âmbito familiar3 e nas igrejas;4 mas, conforme Deus ofereça oportunidade para isso, também deve ser estendida a toda a família da fé, a todos os que, em todo lugar, invocam o nome do Senhor Jesus. Entretanto, a comunhão de uns com os outros, como santos, não destrói nem infringe o direito ou a propriedade de cada pessoa, seus bens e possessões.5


Capítulo 28 - Batismo e Ceia do Senhor

1. O Batismo e a Ceia do Senhor são ordenanças que foram instituídas de maneira explícita e soberana, pelo próprio Senhor Jesus - o único Legislador. Ele determinou que sejam continuadas em sua igreja estas ordenanças, até o fim do mundo.1

2. Estas santas ordenanças cevem ser ministradas somente por aqueles que para isso estejam qualificados, e que sejam chamados por um comissionamento de Cristo.1


Capítulo 29 - Batismo

1. O Batismo é uma ordenança do Novo Testamento, instituída por Jesus Cristo, para ser, para a pessoa batizada, um sinal de sua comunhão com Cristo, na sua morte e ressurreição; de sua união com Ele;1 da remissão dos pecados;2 da consagração da pessoa a Deus, através de Jesus Cristo, para viver e andar em novidade de Vida.3

2. Somente pode ser submetidas a esta ordenança as pessoas que de fato professam arrependimento para com Deus, fé e obediência ao Senhor Jesus.1

3. O elemento externo a ser empregado nesta ordenança será a água, na qual a pessoa será batizada em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo.1

4. Para a devida administração desta ordenança é necessária a imersão, ou seja, a submersão da pessoa na água.1


Capítulo 30 - A Ceia do Senhor

1. A ceia do Senhor Jesus foi instituída por Ele, na mesma noite em que foi traído, para ser observada nas igrejas até o fim do mundo; a fim de lembrar perpetuamente e ser um testemunho do sacrifício de sua morte;1 para confirmar os crentes na fé e em todos os benefícios dela decorrentes; para promover a nutrição espiritual e o crescimento deles, em Cristo; para encorajar o maior engajamento deles em todos os seus deveres para com Cristo; e para ser um elo e um penhor da comunhão com Ele e de uns com os outros.2

2. Nesta ordenança Cristo não é oferecido ao Pai, nem qualquer sacrifício real é feito, para remissão do pecado dos vivos ou dos mortos. A ceia é apenas um memorial do sacrifício único que Cristo fez de si mesmo, sobre a cruz e de uma vez por todas;1 é também uma oferta espiritual, de todo o louvor que é possível oferecer a Deus em reconhecimento ao sacrifício feito por Cristo.2 O sacrifício católico-romano da missa (como é chamado) é totalmente abominável e uma injúria ao sacrifício pessoal de Cristo, que é a propiciação única por todos os pecados dos eleitos.

3. No cumprimento desta ordenança, o Senhor Jesus determinou que seus ministros orem e abençoem os elementos, pão e vinho, separando-os do seu uso comum para uso sagrado. Os ministros devem tomar e partir o pão; tomar o cálice e, participando eles mesmos desses elementos, dá-los também, ambos, aos demais comungantes.1

4. Negar o cálice ao povo; adorar os elementos; levantar ou carregá-los perante o público, para adoração; e guardar os elementos para qualquer outra finalidade supostamente religiosa: tudo isso contradiz a natureza desta ordenança, bem como a intenção de Cristo ao instituí-la.1

5. Os elementos exteriores desta ordenança, devidamente consagrados para os usos que Cristo ordenou, possuem uma correlação com Cristo crucificado. De fato, embora os termos sejam apenas usados figuradamente, às vezes eles são chamados pelo nome das coisas que representam, isto é, o corpo e o sangue de Jesus Cristo,1 se bem que, em substância e em natureza, continuem sendo apenas pão e vinho, como eram antes.2

6. A doutrina que ensina uma mudança de substância no pão e no vinho (que supostamente se transformam na substância do corpo e do sangue de Cristo pela consagração por um sacerdote, ou por qualquer outro modo), comumente chamada de doutrina da transubstanciação, não somente é repugnante à Escritura,1 mas também ao senso comum e à razão. Ela subverte a natureza desta ordenança, tendo sido, e é, a causa de muitas superstições e de grosseiras idolatrias.2

7. De fato e em verdade, os que recebem exteriormente os elementos desta ordenança, desde que comungando dignamente, - pela fé, não de maneira carnal ou corporal, mas espiritual - recebem a Cristo crucificado e dEle se alimentam, bem como todos os benefício de sua morte. Para os que crêem, o corpo e o sangue de Cristo estão presentes na ordenança, não de maneira corporal ou carnal, mas de modo espiritual, tanto quanto estão presentes os elementos visíveis.1

8. As pessoas ignorantes e ímpias, visto não estarem propriamente adequadas para desfrutar da comunhão com Cristo, são, portanto, indignas da mesa do Senhor, e não podem tomar parte nestes santos mistérios, nem a ele serem admitidas1 sem que cometam um grande pecado contra Cristo. Qualquer que comer do pão ou beber do cálice do Senhor, indignamente, será réu do corpo e do sangue do Senhor, comendo e bebendo juízo para si.2


Capítulo 31 - O Estado do Homem Após a Morte; A Ressurreição dos Mortos

1. Após a morte o corpo humano retorna ao pó e vê corrupção.1 A alma, porém, não morre nem dorme, porque possui subsistência imortal, retornando imediatamente para Deus, que a deu.2 As almas dos justos são aperfeiçoadas em santidade e recebidas no paraíso, onde estão com Cristo e contemplam a face de Deus, em luz e glória, aguardando a plena redenção de seus corpos.3 As almas dos ímpios são lançadas no inferno, onde permanecem em tormentos e completa escuridão, guardadas para o juízo do grande dia.4 Além desses dois lugares, a Escritura não reconhece outro lugar para as almas separadas de seus corpos.

2. No último dia, os santos que estiverem vivos não morrerão, mas serão transformados.1 Todos os mortos serão ressuscitados com os seus mesmos corpos, e não outros;2 porém, esses corpos terão propriedades diferentes das que anteriormente tinham; e serão novamente unidos às respectivas almas, para sempre.3

3. Pelo poder de Cristo, os corpos dos injustos serão ressuscitados para a desonra. Os corpos dos justos serão ressuscitados para a honra, pelo Espírito, e serão conformados ao corpo de Jesus glorificado.1


Capítulo 32 - O Juízo Final

1. Deus determinou um dia em que há de julgar o mundo com justiça, por meio de Jesus Cristo.1 A Ele todo poder e todo julgamento foram conferidos pelo Pai. Nesse dia, não somente os anjos apóstatas serão julgados;2 também as pessoas que viveram sobre a terra, todas comparecerão perante o tribunal de Cristo, e para prestar conta de seus pensamentos, palavras e ações, para receberem segundo o bem ou o mal que tiverem feito por meio do corpo.3

2. O propósito de Deus, ao estabelecer esse dia, consiste em manifestar a glória de sua misericórdia, na salvação eterna dos eleitos; e a glória de sua justiça, na punição eterna dos réprobos, que são perversos e desobedientes.1 Naquele dia os justos irão para a vida eterna na presença do Senhor e receberão como galardão eterno uma plenitude de alegria e glória. Mas os perversos, que não conhecem a Deus e não obedecem ao evangelho de Jesus Cristo, serão lançados aos tormentos eternos2 e punidos com eterna destruição, banidos da face do Senhor e da glória do seu poder.3

3. Cristo deseja que estejamos bem persuadidos de que haverá um dia de juízo, para que os homens se afastem do pecado,1 e para que os justos tenham maior consolação em suas adversidades.2 Ele também deseja que esse dia não seja conhecido dos homens, até que venha, a fim de que eles se despojem de toda confiança carnal e estejam sempre vigilantes, por não saberem a que hora o Senhor virá;3 e que possam sempre estar preparados para dizer “ Vem, Senhor Jesus, vem sem demora”.4 Amém.